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Todo evento tem um dia de montagem, um dia de operação e um dia de desmontagem. O que quase ninguém contabiliza é o quarto tempo: o rastro. Copos, canudos, talheres e embalagens que saem do seu evento em algumas horas vão levar séculos para desaparecer do planeta. E é justamente sobre esse tempo invisível que o Julho sem Plástico convida o mundo a pensar.

Neste artigo, o EVER explica o que é o movimento, por que ele importa especialmente para quem produz eventos de médio e grande porte, e quais quatro frentes práticas você pode acionar já na próxima edição para reduzir o plástico sem abrir mão da experiência.

O que é o Julho sem Plástico

O Julho sem Plástico (Plastic Free July, no original) é um movimento global que nasceu na Austrália e, em 2026, completa 15 anos. A proposta é simples e poderosa: usar o mês de julho como ponto de partida para repensar o consumo de plástico de uso único, aquele que descartamos em minutos e que persiste no ambiente por gerações.

Ao longo desses 15 anos, o movimento deixou de ser um desafio individual ("como eu reduzo meu plástico em casa?") e passou a interpelar também empresas, cidades e produtores de eventos. A pergunta amadureceu: não se trata mais só de escolhas pessoais, mas de decisões estruturais tomadas por quem organiza a experiência de milhares de pessoas ao mesmo tempo. No Instagram, o movimento está em @julhosemplastico.

Por que o Brasil precisa entrar nessa conversa

Existe um dado que coloca o país no centro do problema. Segundo o relatório "Solucionar a Poluição Plástica", do WWF, com base em dados do Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior gerador de lixo plástico do mundo, com cerca de 11,3 milhões de toneladas por ano, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. Desse total, o país recicla pouco mais de 1% (WWF/Agência Brasil).

Para o setor de eventos, esse número não é abstrato. Um único festival, congresso ou feira de grande porte concentra, em poucos dias, um volume de descarte que equivale ao de uma pequena cidade. Quando o formato é pensado no plástico de uso único, o evento não apenas participa do problema: ele o amplifica em escala e o exibe para o público como se fosse normal.

A boa notícia é que essa mesma escala é o que torna o produtor de eventos um agente de mudança tão relevante. Cada decisão de compras, cada contrato com fornecedor, cada regra de operação se multiplica por milhares de pessoas. É por isso que reduzir plástico em eventos gera impacto muito maior do que a soma de escolhas individuais.

Todo evento é um ponto de decisão

Antes das soluções técnicas, vale fixar uma ideia: o público não decide o que consome no seu evento. Você decide. Se a única opção de bebida vem em garrafa plástica, o público consome garrafa plástica. Se o único talher disponível é descartável, é isso que ele usa.

Essa é a inversão que o Julho sem Plástico propõe para o setor: parar de tratar o descartável como padrão inevitável e começar a tratá-lo como uma escolha de projeto, que pode ser diferente. A seguir, quatro frentes concretas para começar.

1. Disponibilize bebedouros e pontos de hidratação

A garrafinha de água é o símbolo mais visível do plástico de uso único em eventos. Substituí-la por bebedouros e estações de hidratação resolve dois problemas de uma vez: elimina um item de descarte em grande volume e melhora a experiência do público, que passa a ter água disponível o dia inteiro sem depender de fila ou de compra.

Na prática, isso significa mapear pontos de água na planta do evento, sinalizar bem e, quando fizer sentido, oferecer ou permitir copos e garrafas reutilizáveis. É uma das trocas de maior efeito visível com menor complexidade operacional.

2. Substitua talheres e pratos de plástico

A área de alimentação costuma ser a maior fonte de descarte de um evento. Talheres e pratos de plástico saem às centenas ou aos milhares em poucas horas. Hoje existe alternativa reutilizável ou compostável para praticamente cada item dessa operação, de louça retornável a materiais de base vegetal.

A troca exige alinhamento com os fornecedores de alimentação desde o contrato, não na véspera. Definir no briefing de credenciamento que o evento não trabalha com plástico de uso único na praça de alimentação muda a lógica de compra de todos os operadores envolvidos.

3. Elimine os canudos

O canudo plástico é pequeno, mas é um dos itens mais difíceis de reciclar e um dos que mais escapam para o ambiente. Eliminá-lo, ou substituí-lo por alternativas quando o canudo for realmente necessário por acessibilidade, é uma das ações mais simples de implementar e das mais reconhecidas pelo público.

Vale registrar um ponto de responsabilidade: canudos flexíveis são item de acessibilidade para algumas pessoas com deficiência. Eliminar o padrão plástico não significa deixar quem precisa sem opção, e sim ter alternativas disponíveis sob demanda.

4. Faça uma gestão eficiente de resíduos

As três frentes anteriores reduzem o plástico que entra. A gestão de resíduos cuida do que, ainda assim, sobra. Separar corretamente, destinar para reciclagem ou compostagem e, principalmente, medir o volume gerado é o que transforma intenção em resultado comprovável.

Aqui está a diferença entre um evento que "tentou ser sustentável" e um evento que pode provar o que fez. Medir permite comparar edições, estabelecer metas e comunicar resultados com credibilidade, sem cair no greenwashing. É também a base de qualquer processo de certificação séria.

Aderir ao Julho sem Plástico é começar por onde dá

Nenhum evento precisa zerar o plástico da noite para o dia. O valor do Julho sem Plástico está em ser um ponto de partida: escolher uma ou duas frentes, aplicar na próxima edição, medir o resultado e evoluir a partir dali.

Um evento com menos plástico não é sobre abrir mão da qualidade. É sobre demonstrar que reunir gente, gerar experiência e cuidar do que fica podem caber no mesmo projeto. Para o produtor, é também uma decisão de reputação e de valor de marca, cada vez mais observada por patrocinadores, público e imprensa.

Se você organiza eventos e quer transformar essas frentes em um plano estruturado, com diagnóstico e indicadores, o EVER pode ajudar a sair da boa intenção para o resultado medido. Fale com o EVER e faça do seu próximo evento uma prova concreta de responsabilidade socioambiental.

Neste julho, o próximo passo é seu.